Rodrigues Júnior - Era o Terceiro Dia de Vento Sul

 

Rodrigues Júnior (1902-1991), Era o Terceiro Dia de Vento Sul (1968).

 

Apesar de se assumir essencialmente como jornalista, Rodrigues Júnior publicara antes deste livro os romances Sehura (1944), O Branco da Motase (1952), Calanga (1955) e Muende (1960, galardoado com o prémio Fernão Mendes Pinto). 

 

Além destas obras, publicara também mais de uma trintena de títulos correspondentes a textos  que o autor classificara como "ensaios", "estudos de assuntos ultramarinos" e "reportagens-inquéritos".

 

As narrativas reunidas no volume Era o Terceiro Dia de Vento Sul surgem como um conjunto de pequenos textos autónomos, mas relacionados entre si através das personagens e dos espaços ficcionais, textos que supostamente serviram de esboço para uma romance anunciado em 1968 mas publicado apenas em 1976 – Omar Ali.

 

A temática destas narrativas, classificadas pelo autor como "apontamentos", lida essencialmente com aspectos da vida indígena em Moçambique, como se verifica pelos títulos "Nhangau – O Curandeiro Negro", "Sambula – O Feiticeiro Negro" ou "Batuque", na perspectiva de um narrador europeu. Surgem também, inevitavelmente, os vocábulos específicos de várias etnias que, ao contrário do que acontece com outros autores, não são abrangidos por um glossário explicativo, em notas-de-rodapé ou no final do volume.

 

Rodrigues Júnior aborda ainda temáticas de índole social que traduzem questões coloniais, como a mestiçagem e, aspecto particular de Moçambique, a fixação de etnias indianas na região, de que o texto "Mulgy – O 'Monhê' do Mercado" é particularmente significativo.

 

As narrativas deste volume consubstanciam também o núcleo do romance Omar Ali através dos vários textos que tratam da vida dos pescadores da Ilha de Moçambique. É, aliás, um destes textos, "Era o Terceiro Dia do Vento Sul", que dá origem ao título do livro.

 

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